Em 2005, uma moradora de Wrocław, ao rever os papéis do pai falecido, encontrou um cartão de identidade de oficial com um emblema que não conseguiu identificar em nenhum museu polaco. Só ao dirigir-se ao Instituto Sikorski, em Londres, descobriu a verdade: o pai servira no 2.º Corpo polaco sob o comando do general Anders e combatera na batalha de Monte Cassino, na Itália, em 1944 — apesar de ter vivido toda a sua vida do pós-guerra na Polónia socialista sem nunca mencionar em voz alta este episódio da sua vida. O destino de um militar polaco na Segunda Guerra Mundial quase nunca cabe numa única linha: a mesma pessoa podia, em seis anos, passar sucessivamente pelo exército polaco de pré-guerra, pelo cativeiro soviético, pelo exército polaco em formação no território da URSS e, depois, por forças que combateram sob comando britânico no Norte de África e na Itália.
Após a invasão soviética da Polónia oriental em 17 de setembro de 1939, duas semanas e meia depois do ataque alemão, dezenas de milhares de oficiais e soldados polacos caíram em cativeiro soviético. Os documentos do exército polaco de pré-guerra ficaram parcialmente destruídos e parcialmente apreendidos pelo lado alemão ou soviético, e o sistema unificado de registo militar que existia antes da guerra deixou de existir — em seu lugar surgiram, durante anos, vários fluxos de arquivo paralelos e quase totalmente separados.
Na primavera de 1940, os órgãos soviéticos do NKVD fuzilaram cerca de 22 mil oficiais, polícias e membros da intelectualidade polaca, detidos nos campos de Kozelsk, Starobielsk e Ostashkov — os fuzilamentos em massa ocorreram na floresta de Katyn, perto de Smolensk, bem como em Kalinin (a atual Tver) e em Kharkiv. A URSS negou oficialmente qualquer responsabilidade por estes fuzilamentos até 1990, quando a liderança soviética reconheceu pela primeira vez a culpa do NKVD; as listas nominais completas das vítimas (as «listas de Katyn») foram publicadas por partes ao longo da década de 1990, com base em documentos de arquivo entregues pela Rússia à Polónia, e estão hoje disponíveis de forma consolidada através do Instituto da Memória Nacional da Polónia e da sociedade russa Memorial.
Se um antepassado foi oficial polaco e desapareceu precisamente neste período — final de 1939 e primavera de 1940 —, verificar as listas de Katyn deve ser um dos primeiros passos da busca: para muitas famílias, décadas de incerteza terminaram precisamente com a descoberta do sobrenome numa das três listas dos campos.
Os três campos produziram listas de diferente dimensão: de Kozelsk foram fuziladas cerca de 4.400 pessoas, de Starobielsk cerca de 3.900, de Ostashkov cerca de 6.300, sendo que os prisioneiros de Ostashkov eram na maioria não oficiais, mas polícias, gendarmes e funcionários prisionais, algo importante a ter em conta na busca se um antepassado serviu não no exército, mas na polícia de pré-guerra. As valas comuns perto de Smolensk foram descobertas pelas tropas alemãs em 1943, que usaram a descoberta para fins de propaganda, o que dificultou durante décadas o reconhecimento internacional da responsabilidade soviética: só em 1990 Mikhail Gorbachev reconheceu publicamente pela primeira vez o envolvimento do NKVD, e os materiais de arquivo completos, incluindo o memorando de Béria com a autorização dos fuzilamentos, só foram entregues à Polónia no início dos anos 90. A lista consolidada das vítimas foi posteriormente precisada graças ao trabalho de historiadores, incluindo a investigadora russa Natalia Lebedeva, e está hoje disponível na sua forma mais completa no site do Livro Eletrónico da Memória das Vítimas de Katyn, mantido pela sociedade russa Memorial.
Nem todos os oficiais polacos capturados acabaram nos três campos de fuzilamento — no campo de Griazovets, perto de Vologda, ficou retido um grupo separado de cerca de 400 oficiais que o NKVD, por várias razões, não incluiu nas listas de fuzilamento. Após o acordo de 1941, foram precisamente estes homens que formaram o núcleo do nascente Exército de Anders, e as suas memórias — incluindo sobre o destino dos seus companheiros de Kozelsk e Starobielsk — serviram mais tarde de base aos primeiros testemunhos sobre o massacre de Katyn publicados no Ocidente, já na década de 1940, numa altura em que a versão oficial soviética dos acontecimentos ainda negava qualquer culpa do NKVD.
Após a assinatura, em 1941, do acordo entre o governo polaco no exílio e a URSS (na sequência do ataque alemão à União Soviética), iniciou-se em território soviético a formação de um exército polaco a partir de antigos prisioneiros de guerra e deportados, sob o comando do general Władysław Anders. Em 1942, este exército, juntamente com civis, foi evacuado através do Irão para o Médio Oriente, sendo depois incorporado nas forças armadas britânicas como o 2.º Corpo polaco, que se tornou célebre pela tomada de Monte Cassino em maio de 1944. Os documentos deste período — processos pessoais dos militares, listas de evacuação, fichas hospitalares — conservam-se hoje principalmente no Instituto Polaco e Museu Sikorski, em Londres, fundado em 1945 pelo próprio governo polaco no exílio, e em parte no Arquivo Nacional do Reino Unido.
Paralelamente à formação do Exército de Anders, operava no próprio território polaco o Exército Nacional (Armia Krajowa, AK) — a maior organização militar clandestina da Europa ocupada, subordinada ao governo no exílio e que chegou a contar, no seu auge, com cerca de 400 mil pessoas. Os documentos do AK, incluindo processos pessoais, relatórios operacionais e materiais sobre o Levantamento de Varsóvia de 1944, conservam-se hoje no arquivo do Instituto da Memória Nacional (IPN), criado em 1999 especificamente para tratar documentos da época de ocupação alemã e soviética.
Uma particularidade do caso polaco é que a perseguição dos antigos combatentes do AK não terminou com a guerra: após a instauração do poder comunista, os órgãos de segurança (o Gabinete de Segurança, UB) consideravam os antigos membros do Exército Nacional uma ameaça potencial ao novo regime e abriam processos de investigação contra eles, terminando muitas vezes em detenção ou prisão. Estes materiais de investigação do pós-guerra, também conservados no IPN, revelam-se por vezes mais informativos para a investigação familiar do que os próprios documentos militares de 1939-1945, já que os interrogatórios incluíam dados biográficos detalhados sobre a vida pré-guerra do detido.
Em 1 de agosto de 1944, o Exército Nacional desencadeou o Levantamento de Varsóvia — uma tentativa de libertar a capital antes da chegada das tropas soviéticas, que durou 63 dias e terminou em capitulação e na destruição quase total da cidade por ordem do comando alemão. Dada a magnitude e o significado simbólico do levantamento, os documentos sobre os seus participantes são conservados como um conjunto próprio: além do arquivo geral do IPN, o Museu do Levantamento de Varsóvia, inaugurado em 2004 no 60.º aniversário dos acontecimentos, reúne testemunhos pessoais, listas de batalhões insurgentes e materiais de história oral, enquanto o arquivo das estruturas clandestinas está também mais amplamente representado no Studium Polski Podziemnej (Centro de Estudos da Clandestinidade Polaca), em Londres, fundado por antigos membros da Resistência já no exílio. Se um antepassado participou precisamente no levantamento, e não na atividade mais geral do AK, vale a pena verificar as três fontes separadamente, já que os seus fundos se cruzam apenas parcialmente.
Além dos militares, entre 1940 e 1941 as autoridades soviéticas realizaram quatro grandes vagas de deportação de civis polacos dos territórios orientais da Polónia de pré-guerra para a Sibéria, o Cazaquistão e as regiões setentrionais da URSS — segundo diversas estimativas, entre 320 mil e 990 mil pessoas foram deportadas, dependendo da metodologia de cálculo utilizada. O destino destas famílias foi registado não por organismos militares, mas por órgãos especiais de reassentamento do NKVD, e hoje a principal fonte de informação sobre os deportados é o Índice de Pessoas Reprimidas, mantido pelo arquivo público polaco KARTA (Ośrodek KARTA), em Varsóvia, que reúne testemunhos, documentos pessoais e extratos de arquivo desde a década de 1980.
Paralelamente ao arquivo polaco, conservam-se também fontes russas do mesmo período: os cartões de registo dos colonos especiais, elaborados diretamente pelo NKVD, conservam-se no Arquivo Estatal da Federação Russa (GARF) e nos arquivos regionais das zonas para onde os deportados foram enviados. Para uma família que não tenha encontrado o sobrenome procurado no índice da KARTA, um pedido direto ao GARF ou ao arquivo regional do presumível local de exílio dá por vezes um resultado mais preciso, já que os cartões soviéticos indicam frequentemente a povoação concreta e a data de chegada, dados nem sempre refletidos nos testemunhos polacos do pós-guerra.
Categoria
Onde procurar
Particularidade
Vítimas de Katyn (oficiais, 1940)
Instituto da Memória Nacional da Polónia, Memorial
Listas de três campos: Kozelsk, Starobielsk, Ostashkov
Exército de Anders / Forças polacas no Ocidente
Instituto Sikorski (Londres), Arquivo Nacional do Reino Unido
Processos pessoais, listas de evacuação e hospitalares
Exército Nacional e processos de investigação do pós-guerra
IPN (Varsóvia)
Documentos militares e de investigação conservados separadamente
Civis deportados em 1940-1941
Ośrodek KARTA (Varsóvia)
Índice de Pessoas Reprimidas, reunido desde a década de 1980
O arquivo militar polaco de 1939-1945 é complexo precisamente porque a mesma pessoa podia passar sucessivamente por vários sistemas de registo incompatíveis entre si — o polaco de pré-guerra, o dos campos soviéticos, o militar britânico e, após o regresso à pátria, o sistema de investigação do pós-guerra da Polónia comunista. Compreender esta sequência transforma fragmentos de arquivo dispersos numa biografia coerente.
Katyn — o local próximo de Smolensk do fuzilamento em massa de oficiais polacos pelo NKVD soviético na primavera de 1940, que se tornou o nome genérico dos três fuzilamentos dos campos (Kozelsk, Starobielsk, Ostashkov).
Exército de Anders — um exército polaco formado em 1941-1942 em território da URSS a partir de antigos prisioneiros de guerra e deportados, sob o comando do general Władysław Anders.
Instituto Polaco e Museu Sikorski — o arquivo do governo polaco no exílio e das Forças polacas no Ocidente, fundado em Londres em 1945.
Exército Nacional (AK) — a maior organização militar clandestina na Polónia ocupada, subordinada ao governo no exílio.
IPN — o Instituto da Memória Nacional da Polónia, criado em 1999 para conservar e estudar documentos da época de ocupação alemã e soviética.
UB (Gabinete de Segurança) — os órgãos de segurança da Polónia da era comunista, que abriam processos de investigação contra antigos combatentes clandestinos.
Ośrodek KARTA — um arquivo público polaco em Varsóvia, que mantém o Índice de Pessoas Reprimidas desde a década de 1980.
Griazovets — um campo perto de Vologda onde ficou retido um grupo de oficiais polacos que escapou ao massacre de Katyn e que mais tarde formou o núcleo do Exército de Anders.
Levantamento de Varsóvia — um levantamento armado do Exército Nacional em Varsóvia, de 1 de agosto a 2 de outubro de 1944, contra a ocupação alemã.
Studium Polski Podziemnej — o Centro de Estudos da Clandestinidade Polaca em Londres, fundado por antigos membros da Resistência no exílio.
GARF — o Arquivo Estatal da Federação Russa, que conserva cartões de registo de colonos especiais e outros documentos dos órgãos repressivos soviéticos.