A Europa de Leste é, para os genealogistas, simultaneamente um tesouro e um labirinto. Os fundos são imensos — registos paroquiais, atas civis, métricas, registos fiscais, listas de nobreza — mas estão distribuídos por dezenas de arquivos na Rússia, Ucrânia, Polónia, Bielorrússia, países bálticos e outros países. E estão em línguas que frequentemente são inacessíveis para investigadores ocidentais: russo, polaco, ucraniano, eslavo eclesiástico, alemão (para famílias colonas), às vezes iídiche.
| País | Arquivo principal | Fundo (ênfase) |
|---|---|---|
| Rússia | ГАРФ (Moscovo), РГИА (São Petersburgo) | Atos imperiais e soviéticos, listas de nobreza |
| Ucrânia | ЦДІАУК (Kiev), arquivos estaduais regionais | Registos paroquiais, métricas, recenseamentos |
| Polónia | Arquivo Estatal de Varsóvia, parceiros FamilySearch | Registos paroquiais (lat., rus., al.), atos civis |
| Bielorrússia | Arquivo Nacional de Minsk | Métricas, fontes polacas e lituanas |
| Países Bálticos | Latvijas Valsts Vēstures Arhīvs e outros | Registos paroquiais alemães, nobreza rural, atos urbanos |
Antes da primeira visita a um arquivo ou do primeiro pedido online, três passos valem o esforço: Primeiro, reunir toda a informação familiar (nomes, locais de nascimento e morte, afiliação religiosa). Segundo, localizar o local de origem em mapas históricos — as fronteiras deslocaram-se várias vezes na Europa de Leste. Terceiro, verificar bases de dados online: FamilySearch, Ancestry, JRI-Poland, Findmypast.
Comece pelo local exato de nascimento dos seus antepassados. Nao o pais — mas a aldeia ou cidade. As fronteiras mudaram varias vezes no seculo XX.
Use o FamilySearch.org — gratuito, com milhoes de registos paroquiais do Leste Europeu. Depois: pedidos direccionados aos arquivos regionais.
| Periodo | Arquivos e recursos |
|---|---|
| Antes de 1917 | RGIA S. Petersburgo; registos paroquiais locais; FamilySearch |
| 1917-1991 | Arquivos regionais ZAGS; arquivos militares RGVA |
| Apos 1991 | Arquivos nacionais dos estados sucessores; JRI-Poland para ancestrais judeus |
Dica: se o local de nascimento esta hoje noutro pais do que em 1900, consulte mapas historicos — muitos nomes de cidades tambem foram alterados.
Comece pelo que é conhecido e trabalhe para trás. Registe-se no FamilySearch (gratuito) e pesquise as coleções disponíveis. Assim que tiver um nome de lugar, verifique a que país pertencia historicamente e dirija-se diretamente ao arquivo estadual correspondente.
Para muitas famílias portuguesas e brasileiras, a ligação ao Leste Europeu passa pela genealogia judaica. Portugal tem uma história complexa com as suas comunidades judaicas: a expulsão de 1496, o cripto-judaísmo dos cristãos-novos, e as ondas de regresso ou de diáspora que se prolongaram por séculos. Mas há um capítulo menos discutido: a presença, no século XX, de judeus asquenazes da Europa de Leste em Portugal e no Brasil — refugiados que fugiram dos pogroms russos (1881–1906, 1918–1921) e, mais tarde, do nazismo.
Estes imigrantes deixaram registos tanto nos países de destino como nos países de origem. Os arquivos da comunidade israelita de Lisboa e do Porto, bem como os arquivos da Congregação Israelita Paulista em São Paulo, conservam registos de naturalização, casamentos e óbitos de imigrantes asquenazes provenientes da Rússia, Polónia, Ucrânia e Roménia. Os nomes dos locais de origem — frequentemente transliterados de forma inconsistente em documentos portugueses — são a chave para aceder aos arquivos do Leste Europeu.
Principais recursos para genealogia judaica asquenaze.
JewishGen.org é o ponto de partida obrigatório: cobre o antigo Pale of Settlement (zona de residência obrigatória dos judeus no Império Russo, que incluía a Polónia, os países bálticos, a Ucrânia e a Bielorrússia) com índices de registos paroquiais de sinagoga, listas de revisão e bases de dados de Yad Vashem. A base de dados Yizkor Books (Memorial Books), digitalizada no YIVO Institute em Nova Iorque, contém memórias escritas por sobreviventes de comunidades judaicas destruídas — muitas vezes com listas de nomes e fotografias. Para famílias da Polónia, o índice Geneteka (geneteka.genealodzy.pl) é indispensável.
Para a pesquisa sefardita no espaço pós-soviético, os arquivos de Tbilisi (Geórgia), de Chisinau (Moldávia) e de Baku (Azerbaijão) contêm registos de comunidades sefaraditas que mantiveram o djudezmo como língua familiar até ao século XX. O Arquivo Nacional da Moldávia tem fundos em romeno, russo e hebraico que podem revelar origens ibéricas em famílias cujos sobrenomes soaram durante gerações como tipicamente «orientais».
Um recurso prático para começar: o FamilySearch disponibiliza gratuitamente milhões de registos microfilmados do Leste Europeu, incluindo registos de sinagoga e listas de revisão do Império Russo. A pesquisa por nome de localidade permite identificar rapidamente se existem registos digitalizados antes de contactar os arquivos nacionais.