Guia prático · MAPASGEN

Pesquisar antepassados russos

Da primeira pesquisa online aos documentos de arquivo dos séculos XVI–XX.

Gratuito5 seções · recursos
§ 01

Em 1666–1667, realizou-se em Moscovo um concílio eclesiástico em que, pela primeira vez na Rússia, se colocou oficialmente a questão de manter registos de nascimentos, casamentos e óbitos dos paroquianos. O assunto, no entanto, demorou muito a sair do plano das palavras: em 1702, Pedro o Grande obrigou, por decreto próprio, os sacerdotes de Moscovo a enviar semanalmente ao Gabinete Espiritual Patriarcal dados sobre nascidos e falecidos, mas nem isso se tornou prática generalizada. Só em maio de 1722, nos aditamentos ao Regulamento Espiritual, surgiu uma exigência que finalmente funcionou: todas as paróquias do império passaram a ser obrigadas a manter registos paroquiais. Os genealogistas de hoje usam esta data como ponto de partida convencional — é a partir de 1722 que os vestígios escritos dos antepassados de pessoas que viveram no Império Russo se tornam verdadeiramente abundantes, independentemente do povo, estamento ou religião a que a família pertencesse.

Desde então passaram mais de três séculos, duas mudanças de regime, várias guerras e ondas de emigração — e hoje os documentos sobre antepassados podem estar literalmente em qualquer lugar: num arquivo regional de uma antiga província, nos fundos de um arquivo central de Moscovo, sob a forma de microfilme captado na era soviética por missionários mórmones, ou na prefeitura de polícia de uma cidade francesa onde se instalou outrora um emigrante fugido da revolução. Este artigo é uma análise detalhada e prática de como funciona todo este sistema de fontes, que documentos existem para cada época e grupo social, e a quem contactar em cada etapa da pesquisa.

§ 02

Comece por conversas em família

Antes de avançar para os arquivos, vale a pena esgotar a fonte mais acessível: a memória dos familiares vivos. Os nomes dos bisavós, os nomes das aldeias, as profissões, as histórias de mudanças, as cartas antigas, as fotografias com legendas no verso, as cadernetas militares, as certidões de casamento — tudo isto reduz drasticamente o volume da pesquisa em arquivo. São especialmente valiosos quaisquer documentos da era soviética, que muitas vezes indicam o local de nascimento, o que aponta de imediato para o arquivo regional onde procurar registos paroquiais mais antigos. Não negligencie também os detalhes orais que parecem insignificantes à primeira vista: uma observação como «na nossa família eram todos das proximidades de Tula» ou «o avô dizia que tinha nascido numa família de velhos-crentes» já é uma direção de pesquisa e uma pista sobre que tipo de documento será necessário.

§ 03

Registos paroquiais: a principal fonte até 1918

O registo paroquial (metricheskaya kniga) era um documento mantido em cada paróquia ortodoxa, composto por três secções: nascimentos, casamentos e óbitos. Um registo de nascimento indicava normalmente a data de nascimento e de batismo, o nome do recém-nascido, os nomes e o estatuto social dos pais, e ainda os nomes dos padrinhos — frequentemente parentes ou vizinhos próximos da família, que podem eles próprios constituir uma boa pista para a continuação da pesquisa. Um registo de casamento incluía os nomes e idades dos noivos, o seu estatuto social, a ordem do casamento (primeiro, segundo, etc.) e os nomes das testemunhas. Um registo de óbito indicava a idade do falecido, a causa da morte (muitas vezes imprecisa, em fórmulas como «de febre» ou «de velhice») e o local de sepultamento.

Os registos eram elaborados em dois exemplares: um ficava na própria igreja, o outro era copiado anualmente e enviado para conservação ao consistório — o órgão administrativo da diocese. É importante saber isto na prática: se o exemplar paroquial de uma determinada igreja não se conservou (e, após a revolução, as guerras e simplesmente o tempo, muito não se conservou), há a possibilidade de o exemplar do consistório ter sobrevivido — e o inverso também acontece: por vezes só se conservou o exemplar paroquial.

Os povos não ortodoxos do império tinham as suas próprias particularidades. Os velhos-crentes só obtiveram o direito de manter os seus próprios registos após uma lei de 1905 — antes disso, eram registados pelas administrações civis distritais (volost). Os registos dos muçulmanos eram mantidos por mulás nas mesquitas, os dos judeus por rabinos ou escribas comunitários especialmente designados, e os dos luteranos por pastores, nem sempre em russo. Se os seus antepassados pertenciam a um destes grupos, é preciso procurar não só nos fundos consistoriais, mas também nos documentos das administrações distritais, nos registos da comunidade religiosa correspondente ou, para judeus do Império Russo, em bases especializadas como a JewishGen, que reúnem precisamente estes registos num só lugar.

Uma boa notícia para quem começa hoje uma pesquisa: uma parte significativa dos registos paroquiais já está digitalizada. Em meados do século XX, missões mórmones realizaram um trabalho em grande escala de microfilmagem de arquivos em todo o mundo, incluindo soviéticos, e hoje esse material está disponível gratuitamente no FamilySearch. O catálogo de conservação de registos em arquivos da Rússia, Ucrânia e Bielorrússia pode ser consultado no site especializado metrics.tilda.ws, enquanto os originais costumam permanecer no arquivo estatal regional da província onde viveram os antepassados — os arquivos modernos publicam cada vez mais digitalizações nos seus próprios sistemas de informação.

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§ 04

Listas de confissão: uma fonte de reserva quando faltam os registos

Além dos registos paroquiais, as igrejas elaboravam anualmente outro documento: a lista de confissão, ou ispovednaya rospis'. Um formulário único para estas listas foi introduzido por um decreto do Sínodo em 1737 e manteve-se quase inalterado até 1917, havendo lugares onde documentos deste tipo continuaram a ser elaborados até aos anos 1920. Ao contrário do registo paroquial, que regista acontecimentos isolados, a lista de confissão é, no fundo, um recenseamento anual de todos os paroquianos de toda uma paróquia, organizado por agregados e famílias, indicando quem se confessou e comungou nesse ano e quem não o fez, e por que razão. Para um genealogista, é uma fonte inestimável: pode ver-se a composição completa de uma família num determinado ano, mesmo que nenhum dos seus membros tenha nascido ou morrido precisamente nesse ano e, por isso, não conste do registo paroquial. A conservação das listas de confissão é, em média, pior do que a dos registos paroquiais, mas é precisamente por isso que vale a pena verificar ambas as fontes em paralelo: o que falta numa, às vezes encontra-se na outra.

§ 05

Listas de recenseamento (revizskie skazki): um controlo para fins fiscais

Paralelamente ao registo eclesiástico, a Rússia manteve a partir de 1718 outro sistema de controlo, civil: as revisões, ou seja, recenseamentos da população tributável para fins fiscais. A unidade de contagem era a «alma de revisão», e as informações sobre cada agregado eram lançadas num documento chamado lista de recenseamento (revizskaya skazka): nome, patronímico e apelido do chefe de família, idade e composição da família, relação com o chefe de família e, antes da abolição da servidão, a pertença dos camponeses a um determinado proprietário. Entre as revisões, eram acrescentadas notas sobre o destino dos ausentes: falecido, em fuga, reinstalado, recrutado como soldado — registos que muitas vezes constituem a única indicação do destino posterior de uma pessoa. No total, realizaram-se dez revisões entre 1718 e 1858, e os dados das primeiras conservam-se no Arquivo Estatal Russo de Atos Antigos, em Moscovo.

As listas de recenseamento são especialmente importantes para quem tem antepassados que não constavam do registo eclesiástico ortodoxo — muçulmanos, pagãos, membros de pequenos povos do império — e também para os servos, cuja vinculação económica a um proprietário concreto constitui muitas vezes uma pista adicional: os arquivos de propriedades e a correspondência das famílias proprietárias por vezes conservam dados sobre as famílias camponesas com mais precisão do que os fundos estatais. Além disso, em 1897 a Rússia realizou o seu primeiro recenseamento geral da população — de estrutura moderna, com uma ficha individual para cada pessoa, registando idade, alfabetização, ocupação e religião. Infelizmente, a conservação das fichas de recenseamento de 1897 é muito desigual por região: para algumas províncias conservaram-se quase na íntegra, para outras apenas de forma fragmentária, mas onde sobreviveram constituem uma das fontes mais ricas que existem.

§ 06

Um detalhe prático importante: procure pela província, não pelo mapa atual

Um dos erros mais frequentes dos investigadores principiantes é tentar localizar um arquivo pelo «endereço atual». A divisão administrativa do Império Russo organizava-se em províncias (governorados) e distritos (uyezds), cujas fronteiras quase nunca coincidem com as das regiões e distritos atuais da Rússia, Ucrânia, Bielorrússia ou dos países bálticos. A mesma localidade pode ter mudado de província, depois de distrito e depois de país ao longo da sua história, e os fundos de arquivo foram organizados precisamente segundo essas unidades administrativas anteriores à revolução — é, portanto, segundo elas que é preciso procurar.

Aqui ajudam muito serviços cartográficos especializados que resolvem exatamente este problema: sobrepõem mapas antigos das províncias a um mapa de satélite ou esquemático atual, permitindo ver a que província e distrito corresponde um determinado ponto no mapa atual — e, inversamente, encontrar num mapa antigo uma aldeia que hoje tem outro nome ou já não existe de todo. O recurso mais conhecido e prático deste tipo no espaço de língua russa é o site EtoMesto.ru: permite procurar localidades pelo nome (incluindo as desaparecidas), regular a transparência do mapa antigo sobre o moderno e percorrer dezenas de mapas históricos de diferentes épocas — desde as plantas de levantamento geral do século XVIII e os mapas de Schubert e Mende de meados do século XIX até aos mapas militares topográficos do Estado-Maior soviético. O site Retromap.ru desempenha uma função semelhante e é especialmente prático para comparação: pode-se abrir um mapa antigo e um moderno lado a lado, em duas janelas sincronizadas, e estudar simultaneamente o mesmo território em diferentes épocas. Antes de escrever a um arquivo, é sensato abrir primeiro um destes serviços, localizar a aldeia pretendida no mapa antigo e assim determinar com precisão a que fundos de consistório ou de que distrito é preciso recorrer.

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