Episode 8 · MAPASGEN · Premium

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Neurobiologia do amor: oxitocina, vasopressina e o cerebro em estado de apaixonamento

'O amor e uma reacao quimica' e um cliche que resulta ser verdade. So que e mais complicado do que uma reacao — sao varios sistemas neuroquimicos paralelos que mudam com o tempo, interferem entre si e por vezes entram em conflito.

Parte 1. As tres fases do amor e a sua quimica

Fase 1: Desejo (Lust)

Impulsionado por hormonas sexuais: testosterona e estrogenios. Esta fase e motivacional — dirige a atencao para potenciais parceiros sem favorecer nenhum em especifico. Evolutivamente: dispersao maxima do material genetico.

Fase 2: Atracao (Attraction)

E aqui que a dopamina entra em primeiro plano. O sistema dopaminergico do cerebro — especialmente o sistema de recompensa (Nucleus accumbens, Area Tegmental Ventral) — e ativado pelo pensamento ou presenca da pessoa amada. E exatamente o mesmo sistema que e ativado pelas substancias aditivas.

Evidencia de investigacao: Helen Fisher e os seus colegas mostraram em 2005, num estudo de fMRI, que sujeitos 'recentemente apaixonados' a ver fotos do seu parceiro apresentavam forte ativacao no Nucleus Caudatus e na Area Tegmental Ventral — regioes ricas em dopamina associadas a motivacao e antecipacao de recompensa. As mesmas regioes sao ativadas com o consumo de cocaina.

Paralelamente, a serotonina desce no apaixonamento precoce. Os niveis baixos de serotonina sao tipicos da perturbacao obsessivo-compulsiva — o que explica por que os recentemente apaixonados pensam obsessivamente no parceiro.

Fase 3: Vinculo (Attachment)

Impulsionado pela oxitocina e vasopressina. Esta fase desenvolve-se ao longo do tempo e e responsavel pela sensacao de ligacao profunda, confianca e vinculo a longo prazo.

Parte 2. Oxitocina — a 'hormona do abraco' e a sua complexidade

A oxitocina e produzida no hipotalamo e libertada com o contacto fisico, o sexo, o parto e a amamentacao. Reforca o vinculo, a confianca e a coesao social.

Mas a oxitocina nao e simplesmente uma 'hormona do amor':

Parte 3. Vasopressina e o vinculo masculino

A vasopressina e estruturalmente semelhante a oxitocina, mas os seus efeitos diferem — especialmente nos homens. Estudos em ratinhos dos campos (um dos poucos mamiferos monogamos) mostraram que a densidade do recetor de vasopressina no Nucleus accumbens determina se um macho e monogamo ou poligamo.

Estudos em humanos: Homens com uma determinada variante do gene do recetor de vasopressina (RS3 334 no gene AVPR1A) mostram menor qualidade relacional, maiores taxas de divorcio e menos comportamentos de vinculo — segundo um estudo sueco de 2008 com 500 casais. O efeito e real, mas explica apenas uma pequena parte da variancia.

Parte 4. O que acontece ao cerebro no amor duradouro

O amor novo e o amor duradouro utilizam diferentes regioes cerebrais. O apaixonamento inicial domina o sistema de recompensa dopaminergico. Nos casais de longa duracao, as imagens do parceiro ativam mais intensamente regioes associadas ao controlo da dor, a serenidade e a identidade partilhada — o VTA permanece ativo, mas o modo de ativacao muda.

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