Sob stress, as glândulas suprarrenais libertam cortisol e adrenalina. Evolutivamente, é a resposta à ameaça — luta ou fuga. Nesse estado, o corpo redistribui recursos: músculos, coração e cérebro têm prioridade. A função reprodutiva — um 'luxo dispensável' em condições de perigo — passa para segundo plano.
O mecanismo é concreto: o cortisol atua sobre o hipotálamo, reduzindo a produção de GnRH. Menos GnRH significa menos LH e FSH — pior maturação folicular e um pico de LH mais fraco, necessário para desencadear a ovulação. Sob stress crónico elevado, isto pode levar a ciclos irregulares ou amenorreia.
Um estudo de Gesink et al. com mais de 2.000 mulheres mostrou que um nível elevado de stress subjetivo estava associado a um risco duplicado de anovulação. Outros trabalhos relacionam cortisol elevado com menores taxas de fertilização na FIV. A posição científica geral: o stress pode afetar a fertilidade — especialmente através de perturbações da ovulação — mas raramente é a causa principal da infertilidade.
O conselho 'relaxa' baseia-se numa falsa cadeia causal. É prejudicial porque transfere a responsabilidade de um problema médico para a pessoa, atrasa a investigação e o tratamento, e acrescenta uma nova camada de culpa e ansiedade sobre a que já existe. Os dados reais mostram: o apoio psicológico melhora a qualidade de vida das pessoas em tratamento de fertilidade — mas funciona porque reduz o sofrimento, não porque 'desbloqueia' a conceção.
O stress crónico elevado durante a gravidez está associado a maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e alguns problemas de desenvolvimento. Importante: refere-se a stress crónico e intenso — não ao stress quotidiano de uma grávida ativa. O stress agudo e breve não tem efeito negativo comprovado sobre a gravidez.
O stress e a fertilidade estão relacionados — mas essa relação é moderada, não linear e não é o fator determinante na maioria dos casos de infertilidade. A infertilidade causa stress muito mais frequentemente do que o stress causa infertilidade. Cuidar da saúde psicológica durante o tratamento é importante — não porque 'trate a infertilidade', mas porque o tratamento de fertilidade é esgotante em si mesmo.
Amenorreia — ausência de menstruação. Pode ser causada por stress crónico, treino intenso ou perda rápida de peso.
Anovulação — ausência de ovulação num ciclo. Sob stress crónico elevado, a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-ovário pode causar ciclos anovulatórios.
Cortisol — a principal 'hormona do stress' produzida pelas suprarrenais. Cronicamente elevado, suprime o eixo reprodutivo.
GnRH (hormona libertadora de gonadotrofinas) — hormona hipotalâmica que regula a produção de FSH e LH. A sua produção diminui quando o cortisol é elevado.
TCC (terapia cognitivo-comportamental) — abordagem psicoterapêutica baseada em evidências. Eficaz para a ansiedade e depressão, incluindo as associadas à infertilidade.
Milhares já constroem famílias nos seus próprios termos.
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