A endometriose é uma das doenças ginecológicas mais comuns e, ao mesmo tempo, menos conhecidas pelo público em geral. Segundo a OMS, afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva — aproximadamente 190 milhões de pessoas em todo o mundo. No entanto, o tempo médio desde o aparecimento dos primeiros sintomas até ao diagnóstico confirmado é de sete a dez anos. Não é por acaso: os sintomas da endometriose confundem-se facilmente com 'períodos dolorosos', e o diagnóstico requer confirmação cirúrgica. O que acontece exatamente na endometriose? Células semelhantes às do endométrio (o revestimento interno do útero) são encontradas fora do útero — nos ovários, trompas de Falópio, peritoneu, intestino, bexiga. Como o endométrio normal, estas lesões respondem às alterações hormonais do ciclo: crescem e sangram na menstruação — mas o sangue não tem por onde sair. Isso provoca inflamação, formação de cicatrizes e aderências.
Menstruação dolorosa (dismenorreia) — o sintoma mais frequente. A distinção fundamental: não se trata de um desconforto vulgar, mas de uma dor suficientemente intensa para interferir com o funcionamento diário e que não responde aos analgésicos habituais. Muitas mulheres passam anos a aceitar esta dor como normal — 'o meu corpo é assim'. Não é normal. Dor pélvica crónica — dor não relacionada com a menstruação, presente de forma contínua ou cíclica. Pode irradiar para a zona lombar ou para as pernas. Relações sexuais dolorosas (dispareunia) — especialmente com penetração profunda. Reflete o envolvimento do fundo de saco de Douglas ou dos ligamentos úterossagrados. Um dos sintomas raramente mencionados ao médico — por vergonha ou pela sensação de que 'deve ser normal'. Problemas intestinais e urinários durante a menstruação. Defecação dolorosa, diarreia, obstipação, polaquiúria ou micção dolorosa — tudo isto pode ser sintoma de endometriose quando os órgãos correspondentes estão afetados. Infertilidade. Cerca de 30 a 50% das mulheres com endometriose têm dificuldades em conceber. Muitas vezes é esta a primeira razão que as leva a procurar cuidados médicos — e o diagnóstico é feito no decurso de um estudo de infertilidade. Importante: a gravidade dos sintomas não se correlaciona com o estadio da doença. Uma mulher com endometriose em estadio IV (o mais grave) pode ter sintomas moderados, enquanto uma em estadio I pode sofrer de dores incapacitantes. Esta é uma das razões pelas quais o diagnóstico baseado apenas na apresentação clínica é tão difícil.
Um problema fundamental: a endometriose não pode ser diagnosticada apenas com base nos sintomas ou por ecografia. A ecografia pode detetar endometriomas ováricos (quistos cheios de sangue antigo) mas não visualiza as lesões superficiais do peritoneu. O padrão-ouro de diagnóstico é a laparoscopia com confirmação histológica. Trata-se de uma intervenção cirúrgica minimamente invasiva em que o cirurgião examina diretamente os órgãos pélvicos e colhe amostras de tecido para análise. É a única forma de estabelecer e estadiar o diagnóstico de forma fiável. Isto significa que cada diagnóstico de endometriose envolve uma intervenção cirúrgica. É precisamente por isso que o diagnóstico chega tão tarde: muitos ginecologistas preferem prescrever tratamento hormonal empiricamente em primeira linha, reservando a cirurgia para quando o tratamento falha ou há suspeita de complicações. O biomarcador CA-125 é por vezes mencionado no contexto da endometriose — mas o seu valor diagnóstico é limitado. Pode estar elevado na endometriose mas também noutras situações; um nível normal não exclui a doença.
Como é que a endometriose reduz exatamente a fertilidade? Existem vários mecanismos, nem todos igualmente bem compreendidos. Efeitos mecânicos: as aderências e o tecido cicatricial podem distorcer a anatomia das trompas e dos ovários — bloqueando fisicamente o percurso do óvulo ou dos espermatozoides. Os endometriomas ováricos ocupam espaço e podem danificar o tecido ovárico saudável, reduzindo a reserva ovárica. Ambiente inflamatório: o líquido peritoneal contém níveis elevados de citocinas inflamatórias, prostaglandinas e macrófagos ativados, tóxicos para espermatozoides e embriões. Implantação alterada: a endometriose parece afetar a recetividade do endométrio à implantação. Reserva ovárica reduzida: a cirurgia ovárica para endometriomas comporta risco de dano ao tecido ovárico saudável.
O tratamento hormonal (pílula contracetiva, progestogénios, agonistas de GnRH) suprime a atividade das lesões e alivia os sintomas — mas não elimina a doença nem melhora diretamente a fertilidade. Durante o tratamento hormonal, a conceção não é possível. O tratamento cirúrgico (laparoscopia) remove ou destrói as lesões endometrióticas. Pode melhorar os sintomas e — em alguns casos — aumentar a probabilidade de conceção espontânea. Contudo, na endometriose moderada a grave com reserva ovárica reduzida, o benefício da cirurgia antes da FIV não está claramente estabelecido. A FIV é um tratamento eficaz da infertilidade associada à endometriose. Permite contornar vários dos mecanismos que prejudicam a fertilidade e garante a fertilização e o desenvolvimento embrionário precoce em condições laboratoriais controladas. Na endometriose grave, a FIV é frequentemente o tratamento de primeira linha.
A endometriose é uma doença crónica que requer uma gestão a longo prazo, não uma cura única. Não 'cura' com uma operação: a recidiva é possível. Não impede sempre a gravidez — muitas mulheres com endometriose concebem espontaneamente. Mas aumenta significativamente o risco de dificuldades em conceber — e é por isso que o diagnóstico precoce é crucial. Se tem menstruações dolorosas, dor pélvica crónica ou dificuldades em conceber — são razões suficientes para consultar um especialista.
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