Direitos do dador de esperma: quando se torna pai — e como evitá-lo

§ 1

O caso de referência

Em 2015, um tribunal britânico julgou um caso que se tornou precedente. Um homem tinha ajudado uma conhecida a conceber — forneceu esperma pessoalmente, sem intervenção clínica. Entre eles existia um acordo escrito: era dador, sem direitos ou obrigações parentais. A mulher recorreu depois ao tribunal pedindo uma pensão de alimentos. O tribunal concedeu-a — apesar do acordo.

Este caso não é uma exceção. Ilustra um princípio fundamental: o parentesco biológico cria consequências legais que nem sempre podem ser eliminadas por contrato.

§ 2

A distinção fundamental: clínica ou não

Em muitos países, o estatuto legal de um dador de esperma é determinado principalmente pelo canal de transmissão. Dação através de clínica licenciada: estatuto protegido — o dador não é pai legal. Dação fora da clínica: juridicamente imprevisível.

Dependendo do país, o homem pode ser reconhecido pai legal automaticamente (como no Reino Unido) ou por pedido da mãe ou decisão judicial.

§ 3

País a país

Reino Unido. Dação através de clínica licenciada = não é pai legal. Sem clínica = potencialmente pai legal, independentemente de qualquer acordo.

Alemanha. O SaRegG 2018 protege os dadores registados de reclamações parentais.

França. Desde a reforma de 2021, dação apenas através de centros acreditados; dadores registados protegidos.

Espanha. A Lei 14/2006 estabelece claramente que o dador através de centro acreditado não tem quaisquer direitos ou obrigações parentais.

§ 4

Três cenários para um dador conhecido

Dador sem intenções parentais. O risco: sem clínica, pode ser reconhecido como pai legal independentemente da intenção. A única proteção fiável é a clínica.

Dador com envolvimento limitado. O homem e a mulher acordam que ele terá alguma presença na vida da criança — como 'dador conhecido', não como pai. Isto requer um acordo escrito detalhado e, idealmente, um advogado especializado em direito reprodutivo.

Dador como coprogenitor. O homem quer participar na criação da criança. Este é um tipo de acordo diferente com implicações legais muito diferentes.

§ 5

O que um contrato não pode fazer

Um acordo privado entre dador e recetora pode registar intenções. Mas na maioria dos países não pode substituir a lei sobre os direitos parentais. O estatuto de um dador de esperma não é apenas uma questão de intenções. A única forma de gerir esta incerteza é conhecer o direito do próprio país e consultar um advogado antes da conceção.

§ 6

Glossário

Paternidade legal — estatuto de pai de uma criança reconhecido oficialmente, com direitos e obrigações.

Paternidade biológica — vínculo genético de um homem com uma criança; em muitas jurisdições, base para o estabelecimento da paternidade legal.

Clínica licenciada — instituição autorizada a realizar procedimentos de PMA; a dação através dela protege geralmente o dador de reclamações parentais.

Dador conhecido — dador de esperma pessoalmente conhecido da recetora, por oposição a um dador anónimo de banco.

Direitos parentais — direitos e responsabilidades legais em relação a uma criança, incluindo guarda e obrigações de alimentos.

SaRegG — a lei alemã de 2018 sobre o registo de dadores de esperma, que protege os dadores registados de pedidos de paternidade.

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