O acordo de coparentalidade: o que deve conter e para que existe

§ 1

Por que um acordo escrito é importante

Imagine isto: duas pessoas encontraram-se através de uma plataforma de coparentalidade, tiveram uma dúzia de encontros, confirmaram a compatibilidade e decidiram avançar. Conceção, gravidez, nascimento — tudo o que é importante parece ter sido discutido. Mas quando o filho tem dois anos, um dos progenitores quer mudar-se para outra cidade. Ou encontra um novo parceiro e quer renegociar o calendário.

Sem um acordo escrito, cada um destes eventos torna-se fonte de conflito resolvido não por acordo mútuo mas segundo o que um tribunal considera o 'interesse superior da criança'. E um tribunal não conhece os seus valores, as suas conversas, a sua relação.

§ 2

O que é um acordo de coparentalidade

Um acordo de coparentalidade é um documento assinado por dois futuros progenitores antes da conceção ou no início da gravidez. Regista os acordos fundamentais sobre como a vida do filho será organizada: onde viverá, como serão partilhados o tempo e os custos, como serão tomadas as decisões importantes.

Na maioria dos países, tal acordo não tem a mesma força legal que uma ordem judicial. No entanto, um documento detalhado e assinado é um argumento sério em qualquer processo.

§ 3

Secções que devem constar em todo o acordo

Residência e guarda física. Calendário base entre dois lares. Férias, feriados, aniversários.

Parentalidade legal e tomada de decisões. Quem é o progenitor legal? Como são tomadas as decisões sobre educação, saúde, religião, viagens internacionais?

Finanças. Como são partilhadas as despesas correntes? O que acontece com despesas imprevistas importantes?

§ 4

Valores, novos parceiros e mudança de residência

Criação e valores. Idioma, educação religiosa, princípios sobre disciplina e alimentação.

Novos parceiros. Quando é apropriado apresentar o filho a um novo parceiro?

Mudança de residência. O que acontece se um progenitor quiser mudar-se para outra cidade ou país?

Morte ou incapacidade. O que acontece ao filho se um progenitor falecer? Quem se torna o cuidador principal?

§ 5

Resolução de litígios

O modelo mais comum: primeiro, comunicação direta entre os progenitores; em caso de insucesso, mediação com um terceiro neutro; apenas se a mediação falhar, o assunto vai a tribunal. Incluir isto no acordo não impede processos judiciais, mas cria um compromisso partilhado de tentar outras vias primeiro.

Um acordo de coparentalidade não é sinal de desconfiança. É sinal de respeito — pelo parceiro de coparentalidade, pelo filho que ainda não existe e pelo próprio futuro.

§ 6

Glossário

Acordo de coparentalidade — documento privado que regista os acordos entre coprogenitores sobre a criação conjunta do filho.

Parentalidade legal — condição de progenitor oficialmente reconhecida pelo direito de um país.

Mediação — processo de resolução de litígios com um intermediário neutro; geralmente mais rápido e barato do que o litígio judicial.

Guarda física — com qual progenitor o filho vive no dia a dia.

Guarda legal — o direito de tomar decisões importantes sobre a vida de um filho.

Interesse superior da criança — a norma legal aplicada pelos tribunais ao tomar decisões sobre crianças.

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