A maioria das investigações genealógicas bate numa parede algures no século XVIII. Não é coincidência — reflete a estrutura da conservação dos documentos históricos. O registo civil não existia. Os apelidos não eram estáveis. Os documentos eram mantidos por quem estivesse presente e destruídos por quem viesse a seguir. No entanto, a investigação antes do século XIX é possível para a maior parte da Europa, se se compreenderem as fontes que sobreviveram.
O registo civil de nascimentos, casamentos e óbitos começou em momentos diferentes na Europa. A França foi a primeira, em 1792. A Inglaterra e o País de Gales seguiram em 1837, a Alemanha em 1876, a Espanha em 1870, Portugal em 1878. Antes dessas datas, os nascimentos, casamentos e óbitos eram registados — quando o eram — em registos paroquiais. Os registos paroquiais sobrevivem em bom número desde os séculos XVI e XVII em muitos países, mas a cobertura é desigual. Quanto mais se recua antes de 1800, mais escassa se torna a documentação.
Para os países que faziam parte de impérios maiores — os domínios dos Habsburgo, o Império Otomano, o Império Russo — o registo seguia a burocracia imperial. No Império Russo, os livros métricos ortodoxos (метрические книги) foram introduzidos em 1722, mas as famílias camponesas muitas vezes não eram registadas na prática até ao final do século XVIII.
Em grande parte da Europa rural antes do século XIX, os apelidos hereditários não eram universais. Nas zonas germanófonas, os Hofnamen (nomes de quinta) passavam com a quinta, não com a família. Os patronímicos escandinavos mudavam a cada geração. Em muitas zonas eslavas, os patronímicos eram usados informalmente ao lado dos apelidos. Em partes da Irlanda e da Península Ibérica, as práticas de nomenclatura variavam segundo a região. A consequência: seguir um apelido antes de 1800 muitas vezes não funciona — é preciso identificar os indivíduos por outros meios: redes de padrinhos, testemunhas, registos de terras, listas fiscais.
As guerras, os incêndios e a destruição deliberada danificaram os registos genealógicos em toda a Europa. A Guerra dos Trinta Anos (1618–1648) deixou grandes lacunas na Europa Central. O incêndio do Public Record Office irlandês em 1922 destruiu a maior parte dos documentos irlandeses anteriores a 1900 num único dia. Muitos arquivos polacos e da Europa de Leste foram sistematicamente destruídos durante a Segunda Guerra Mundial. Os arquivos russos sofreram perdas durante a revolução de 1917 e a guerra civil que se seguiu. Em todos estes casos, a abordagem consiste em procurar cópias sobreviventes: transcrições episcopais, cópias notariais, registos fiscais e substitutos de censos.
Documentos fiscais e de recenseamento. Em toda a Europa, a tributação implicava a enumeração. No Império Russo, as revizskie skazki (listas de revisão) registaram os contribuintes masculinos dez vezes entre 1718 e 1858. Em Inglaterra sobrevivem o Imposto sobre o Lar (1662–1689) e várias listas de milícia. Em França, os rôles de taille e outros documentos fiscais listam frequentemente os chefes de família. A Alemanha tem Lagerbücher e registos da Türkensteuer dos séculos XVI e XVII. Não são registos de nascimento, mas situam os indivíduos em locais e momentos específicos.
Registos paroquiais antes do registo civil. A maioria dos países europeus tem registos paroquiais sobreviventes do século XVI ou XVII. Em Inglaterra: desde 1538. Em França: desde meados do século XVI. Na Alemanha: desde o final do século XVI. Na Polónia e nas terras dos Habsburgo: variável, mas muitos sobrevivem do século XVII e XVIII. A questão-chave é se foram digitalizados: FamilySearch, Matricula-online.eu, Geneanet e portais de arquivos nacionais albergam coleções importantes.
Documentos notariais e de propriedade. Antes do registo civil, as transações de propriedade e os atos notariais documentavam frequentemente os laços familiares. Testamentos, escrituras, contratos de casamento e documentos de tutela podem estabelecer ligações entre gerações onde os registos paroquiais estão silenciosos.
Para a maioria dos investigadores, o limite realista da documentação genealógica — para além do qual os antepassados individuais se tornam impossíveis de identificar a partir de fontes sobreviventes — situa-se algures entre 1600 e 1750, dependendo do país, da religião e da classe social. As famílias nobres e abastadas estão documentadas mais cedo. As famílias camponesas estão documentadas mais tarde e mais escassamente. As famílias judaicas da Europa de Leste muitas vezes só têm genealogias documentadas a partir do final do século XVIII. Isto não é um fracasso da investigação — é a realidade histórica de como as vidas comuns foram registadas.
Milhares já constroem famílias nos seus próprios termos.
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